É muito grave o quadro de acidentes de trabalho no Brasil e,
em particular, o grande percentual representado pelas ocorrências com máquinas.
No setor de panificação, mesmo com todos os avanços, ainda ocorrem doenças e
acidentes graves com máquinas.
Alguns companheiros e companheiras, vítimas deste tipo de
ocorrência, vieram ao Sindicato, no último dia 8 de julho, e falaram sobre o
assunto. Foi uma demonstração de solidariedade à nossa luta por segurança total
nos ambientes de trabalho e um apelo para que o setor patronal pare de pensar
apenas no lucro e tenha mais sensibilidade social e responsabilidade com a vida
humana.
Manuel, 44 anos,
sofreu acidente em 2001. “Me sentia um lixo, humilhado, lá embaixo. A vida
piorou. Eu ganhava mais do que ganho agora. As pessoas têm que pedir a Deus
para não sofrer acidente, pois isto judia muito”.
Oliveira, 59
anos, sofreu acidente em 2002. “Passei por muitas necessidades. Foi uma
tragédia, pois, na ativa, eu ganharia três vezes mais do que ganho hoje. Não é
fácil manter o dia a dia e o sustento”.
Olívia, 50 anos,
sofreu acidente em 2007. “Foi péssimo o que ocorreu. Era muita pressão: faz
isto, faz aquilo. Minha vida mudou para pior. Sinto ainda muita dor e dificuldade
até para torcer um pano”.
Josivaldo, 37
anos, sofreu acidente em 2002. “Sofri muita humilhação. Ninguém quer empregar
uma pessoa acidentada. Sou humano, não coloquei minha mão para sofrer acidente.
Fui vítima do excesso de trabalho”.